Conselheiros do Flamengo cobram diretoria após déficit de R$ 33,8 milhões

Doze conselheiros do Flamengo protocolaram dois documentos na secretaria do clube para exigir maior transparência financeira depois que o balanço do primeiro semestre de 2026 apontou déficit de R$ 33,8 milhões.

Ofício ao Conselho Deliberativo

O primeiro texto, intitulado “Ofício de exigência de transparência e cumprimento estatutário”, foi endereçado ao presidente do Conselho Deliberativo, Ricardo Lomba. Nele, os signatários afirmam que o colegiado não apresentou os relatórios de execução orçamentária de 2025 e pedem a divulgação dos documentos referentes aos primeiros seis meses de 2026, com detalhamento das rubricas orçadas e do resultado negativo já registrado.

Requerimento ao Conselho Fiscal

No segundo documento, chamado “Requerimento de fiscalização orçamentária e apuração de responsabilidade”, o grupo solicita ao presidente do Conselho Fiscal, Paulo Roberto Gomes, que intime a diretoria a apresentar o orçamento de 2026 em até 48 horas. Os conselheiros também pedem análise sobre a possível aplicação do artigo 146 do Estatuto do Flamengo, que prevê suspensão da autonomia do Conselho Diretor quando o déficit ultrapassa limites fixados no orçamento.

Base estatutária

Segundo os autores do pedido, a solicitação se apoia no inciso III do artigo 146, que trata de resultados acumulados com déficit superior a 3% do faturamento previsto. Eles ainda citam o parágrafo segundo do artigo 69, que impõe responsabilidade solidária a presidentes e vice-presidentes em casos de prejuízos causados por culpa no exercício das funções.

Assinaturas

Assinam os requerimentos: Alvaro Luiz Ferreira, Carlos Bogel Borges, Eduardo Olivieri, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Julio Cesar Gomes da Silva, Julio Frederico Pollastri Gomes da Silva, Luiz Desiderati Junior, Marcelo Haberlehner, Marcelo Vargas, Maria Cristina da Cruz Silva, Otabio Katsuo Nakamura e Wallim Cruz de Vasconcellos Junior.

Suspensão da divulgação

A publicação do orçamento no Portal da Transparência foi adotada em 2013, na gestão de Eduardo Bandeira de Mello, e mantida por Rodolfo Landim. Contudo, em janeiro de 2025, já sob a presidência de Luiz Eduardo Baptista, o clube deixou de tornar o documento público, alegando não haver obrigação estatutária. A movimentação dos conselheiros pode levar a diretoria a rever a decisão ainda este ano.

Os pedidos agora serão analisados pelos presidentes dos dois conselhos, que poderão determinar a apresentação dos dados ou levar o tema ao plenário.

Com informações de Eu sou Flamengo


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