Fair play financeiro expõe dívidas bilionárias e fragilidade dos clubes brasileiros
O recém-instituído sistema de fair play financeiro no futebol nacional revelou um cenário de grave desequilíbrio nas contas dos clubes. A avaliação foi apresentada pelo economista Caio Resende, presidente da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), em entrevista ao videocast Toca e Passa, do jornal O Globo.
Quem é o dirigente
Formado em relações internacionais, com especialização em economia, Resende atua desde 2024 como diretor da CBF Academy. Agora à frente da ANRESF, ele descreve o fair play como “a aplicação de regulação econômica dentro do futebol”.
Estrutura da agência
Criada juntamente com o novo regulamento, a ANRESF opera de forma independente. O órgão conta com sete diretores divididos em duas turmas e prevê instância de recurso interno, mas suas decisões são definitivas no âmbito esportivo.
Participação dos clubes
Esta é a terceira tentativa da CBF de adotar um modelo de sustentabilidade financeira. Diferentemente das versões anteriores, 34 clubes das Séries A e B participaram ativamente da elaboração do texto, aprovado após meses de debate.
Punições previstas
O regulamento estabelece sanções que vão de advertência e multa até transfer ban, perda de pontos, rebaixamento ou exclusão. A orientação inicial é aplicar medidas pedagógicas antes das mais severas.
Prazos e monitoramento
Os clubes têm até 30 de novembro para quitar débitos contraídos antes de 1º de janeiro. Novas operações não terão período de carência: qualquer atraso poderá gerar processo imediato. A ANRESF já acompanha 64 transações recentes de equipes das duas principais divisões.
Números que preocupam
Apesar do aumento de 35 % na receita, as despesas cresceram 40 %, os investimentos em contratações saltaram 140 % e o endividamento total avançou de cerca de R$ 7 bilhões para quase R$ 14 bilhões em apenas dois anos. “Nunca tivemos clubes tão frágeis financeiramente”, afirmou Resende.
Multipropriedade e limites de endividamento
Em casos de investidores ligados a mais de um clube, a agência poderá exigir a descontinuação da operação se detectar conflito. O regulamento também veda a estratégia de elevar excessivamente a dívida para acelerar crescimento; aportes são permitidos somente quando aumentam o patrimônio real.
Redes multiclubes sob vigilância
Segundo o dirigente, a falta de controle no passado facilitava o envio de recursos a times de fora do país para cumprir normas estrangeiras. Com o novo protocolo, essas transferências passam a ser rastreadas e, se necessário, coibidas.
Com o cronograma de fiscalizações já em curso, a ANRESF pretende usar o restante da temporada para ajustar procedimentos e, a partir de 2025, intensificar a cobrança pelo equilíbrio das contas nos gramados brasileiros.
Com informações de Eu sou Flamengo

Imagem: Internet
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