Mudança do Flamengo nos prazos de comissões leva agentes a cobrar inclusão no fair play financeiro da CBF

A decisão do Flamengo de postergar parte dos pagamentos de comissões a empresários até 2027 desencadeou reações imediatas no setor. A Associação Brasileira de Agentes de Futebol (Abaf) enviou um ofício à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), solicitando que os agentes passem a integrar formalmente o Sistema de Sustentabilidade Financeira — o chamado fair play financeiro — implementado nesta temporada.

Pedido oficial à Anresf

O documento, assinado pelo presidente da Abaf, Jorge Moraes, e respaldado por 41 empresários, foi encaminhado a Caio Resende, presidente da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf). A entidade argumenta que, se um clube com a reconhecida saúde financeira do Flamengo opta por rever contratos, qualquer negociação no futebol brasileiro pode ser afetada.

Como é hoje e o que pode mudar

Atualmente, quando um empresário não recebe a comissão acertada, pode recorrer à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) ou à Justiça comum. Caso a Anresf acolha o pleito da Abaf, os agentes passariam a ser credores habilitados a denunciar inadimplência no fair play financeiro, o que expõe os clubes a sanções esportivas além do simples pagamento da dívida.

O que motivou a mobilização

Nos últimos dias, o departamento responsável por contratos no Flamengo comunicou aos representantes dos atletas que o cronograma de quitação de comissões, tradicionalmente de 7% sobre cada negócio, será reorganizado. Valores que venceriam até o fim de 2026 foram transferidos para 2027, sem novo calendário detalhado. A alteração elevou a preocupação entre os empresários.

Posicionamento do presidente rubro-negro

Questionado sobre a medida, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, defendeu o direito do clube de rever acordos que considere desequilibrados. “Alguns contratos não nos parecem razoáveis; estamos renegociando. Quem não concordar pode fazer negócio com outros clubes”, afirmou.

Bap reforçou que o Flamengo mantém boa reputação por honrar compromissos e questionou se os empresários recebem em dia de todas as equipes com as quais negociam.

Apesar de a Abaf já pleitear espaço no fair play desde a criação da Anresf, o episódio com o Flamengo reacendeu o debate e fortaleceu o pedido dos agentes por maior proteção contratual.

Com informações de Eu sou Flamengo


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