Flamengo se posiciona contra a proibição das apostas e emite declaração oficial
O Flamengo manifestou novamente sua oposição à possível proibição das apostas no Brasil, tema que ganhou destaque durante a Data FIFA. Durante esse período, surgiu a possibilidade de o governo federal editar uma Medida Provisória sobre o funcionamento das casas de apostas no país. A expectativa era de uma decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o assunto, divulgada na última sexta-feira (25).
Patrocinado pela Betano, que detém o maior patrocínio da história do futebol brasileiro, o clube é um dos principais interessados nas consequências de uma possível mudança na legislação. Em suas declarações, o Flamengo enfatiza que a proibição pode impactar negativamente o esporte nacional, além de afetar empregos formais e informais, assim como empresas de comunicação e marketing que operam no setor de apostas.
A nota do clube também destaca a importância dos investimentos das casas de apostas para os clubes de futebol, que nos últimos anos se tornaram uma fonte significativa de recursos. O Flamengo argumenta que a simples proibição das empresas legalizadas não acabaria com as apostas, mas poderia fortalecer o mercado ilegal, acarretando perdas financeiras ao futebol brasileiro.
De acordo com o Flamengo, a regulamentação das apostas esportivas foi resultado de um longo processo e estabeleceu diretrizes para as empresas operarem legalmente no país. O clube defende que, em vez de desmantelar o modelo regulatório, os problemas devem ser resolvidos por meio de melhorias nas regras existentes.
A seguir, a íntegra da nota oficial do Flamengo:
“O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor. Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório. Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam. Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la. Isso é uma questão de segurança jurídica. E segurança jurídica não interessa apenas às empresas de apostas. Interessa a qualquer pessoa, empresa ou instituição que invista, contrate e faça planos de longo prazo no Brasil confiando nas regras estabelecidas pelo próprio Estado. A mudança atinge em cheio o esporte brasileiro. Uma decisão dessa dimensão afeta o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos. O esporte brasileiro não pode ser analisado apenas a partir da realidade financeira dos clubes de maior receita. E não são atingidos apenas os clubes, é uma cadeia que recebe um impacto imediato: empregos diretos e indiretos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas, prestadores de serviços e toda uma cadeia econômica. Atinge também a arrecadação pública. O mercado regulado gera recursos por meio de impostos e das destinações previstas em lei, que chegam aos cofres públicos e são destinados a áreas de interesse da sociedade. Enfraquecer o mercado legal pode produzir uma combinação especialmente ruim: menos recursos para o esporte e menos arrecadação para o país. E o brasileiro ficará mais protegido? Essa talvez seja uma das perguntas centrais dessa discussão. Proibir as empresas que operam legalmente não significa acabar com as apostas. O jogo não desaparece e o mercado clandestino, que representa parcela expressiva da atividade, vai crescer e ocupar esse espaço. Pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada em maio de 2026 em todo o país com 2.291 apostadores, aponta a presença relevante de práticas associadas ao mercado ilegal. Estudo da LCA Consultores, baseado nessa pesquisa, estima que entre 38% e 44% do valor apostado online no Brasil ocorra atualmente em plataformas clandestinas. Há um dado particularmente importante: a participação estimada do mercado ilegal caiu depois da regulamentação, passando daquela faixa de 41% a 51% em 2025 para 38% a 44% no primeiro semestre de 2026. O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar. E o resultado pode ser menos segurança para quem investe, menos recursos para o esporte e para o país e menos capacidade de fiscalização sobre a atividade. O Brasil precisa combater o jogo ilegal. Precisa proteger sua população. Mas também precisa preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade de suas instituições esportivas. O esporte brasileiro não pode ser enfraquecido por uma decisão que não elimina o jogo, não elimina o mercado ilegal e ainda coloca em risco os investimentos, os empregos e os compromissos construídos dentro das regras que o próprio país estabeleceu.”
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